segunda-feira, agosto 28, 2006

barba, cabelo e bigode: uma historia quase verídica de sexo, drogas e rock and roll




7:30 am. O ar abafado da cidade e em tudo em volta da redação fazia com que tudo parecesse como um dia normal, mesmo para uma manhã abusiva de segunda feira com seus olhares de humores duvidosos. Chovia. Humberto teria deixado a sala de James J. Jameson, editor-chefe da Pastelada Diária, com uma aura levemente ranzinza. Tudo bem. Era segunda-feira, ainda era manhã, chovia, estava abafado e fazia muito calor. E se tratava de J. J. Jameson, editor chefe da Pastelada... Normal.

7:42, am. Humberto engole apressado o café amargo e, com o mesmo humor de mortadela amanhecida de doze minutos atrás, deixa a redação em seu Renault 440 modelo 1957. Seria uma relíquia caríssima, mesmo em 1998, não fosse por se tratar de um carro de Humberto: oito amassados na porta lateral esquerda, provavelmente devido a barbeiradas transituais de manhãs abusivas de segundas-feiras. Mais pareciam marteladas propositais após churrascadas de sábado, quando o Telemense, time de coração, perdia. Ainda chovia. Ainda estava abafado. Ainda fazia calor pra caralho.

8:20, am, e estamos no centro da cidade. Rush habitual de manhã abusiva de segunda feira, e no toca-fitas "Sommy", adquirido na praça dos importados, um certo Roger cantava "... Eu vou matar Maximillian Sheldon, eu vou matar Maximillian Sheldon...", repetidamente, ao som de solos de guitarra e saxofone. Nada mal, mesmo para uma manhã abusiva de segunda feira.

8:23, am, e o Renault 440 modelo 1957 estacionado ao lado de um inofensivo poste. Nove amassados na porta lateral esquerda. "Eu vou matar Maximillian Sheldon, eu vou matar Maximillian Sheldon". Tudo bem, nada como uma manhã abusiva de segunda feira. Agora é só encontrar "seres entrevistáveis" no horário de Rush, manhã abusiva de segunda feira. Seguir o ditado por J. J. Jameson, um ditador de bigodinho e franjas grisalhas, que queria uma "... matéria diferente para uma manhã de segunda feira". Abusos.... "Eu vou matar Maximillian Sheldon, eu vou matar James J. Jameson, eu vou matar...".

8:43, am, e a brincadeira começa: "Olá minha senhora, a senhora já fez coco em público? E a senhorita? E a madame? E o senhor de terno lilás?". A multidão apavorada com o fotógrafo, seus flashes e o palavreado quase chulo de Humberto, se afastava e ameaçava chamar a polícia. Tudo bem. Era segunda-feira, ainda era manhã, chovia, estava abafado e fazia muito calor. Ao que Humberto, tomado por uma fúria repentina, sobe num hidrante de pouco mais de meio-metro e inicia uma nova berraria: "O que foi, gente? Ora bolas, quem não caga? Ora bolas, todo mundo caga! Vamos, gritem comigo, FEZES, F E Z E S ! ! !" Simões, fã de carteirinha de James J. Jameson, era o fotógrafo desta manhã abusiva de segunda feira e todos os seus horrores, punha as mãos na cara e teria pensado ritmicamente: "Eu vou matar Maximillian Sheldon, eu vou matar esse tal de Humberto...". Solos de guitarra e de saxofone davam um toque de mistério aos pensamentos do jovem Simões que, com sua Nikkon DK 6-6-12, a "meia-meia 'dose'", como ele costumava brincar, para livrar o seu da reta, fotografou o insano momento de Humberto sobre o hidrante vermelho. Chovia. Fazia calor. Estava abafado. E a polícia havia chegado.

13:43, pm. Antes de ser sumariamente despedido por James J. Jameson, editor-chefe da Pastelada Diária e fã de carteirinha do Darth Vader (antes do episódio "O Retorno do Jedi", quando o gigante do mal começa com maricagens e morre), Humberto quase foi linchado pela multidão ensandecida com seus berros ultrajantes, levou porrada da polícia, e foi submetido a exames médicos. Níveis vesuvianos de heroína, cocaína, naftalina e outras "inas" foram constatados em uma mínima dose do seu sangue. Asterbaldo, negro, 1,84m, 92Kg, faixa preta em Karate-do, delegado de plantão e fã incomensurável de Chuck Norris, pensou: "Tudo bem. É segunda-feira, chove, está abafado e faz muito calor". Mas pelo sim pelo não, mandou que vasculhassem o apartamento onde vivia Humberto. Coincidência ou não, na rádio da delegacia tocava, baixinho, "... Maximillian Sheldon.... Maximillian Sheldon....". A voz de um certo Roger. Solos de guitarra e de saxofone. Chovia. Fazia calor. Estava abafado.

15:56, pm. Asterbaldo tremeu nas bases ao encontrar o cadáver semi-sorridente de Margarida, ex-namorada de Humberto, com o abdomen retalhado por algo que talvez fosse uma colher de sobremesa enferrujada, devido ao tamanho estrago. Margarida, nua da cintura para baixo, trajava um "top" negro, com um bordado prateado, uma construção gramatical quase como um grito na multidão: "É assim que me querem, eu sei". Estava abafado, fedia a sangue, muito sangue, fazia calor e chovia. no deque TDQ, recém adquirido por Humberto na feira dos importados, uma suspeita canção tocava repetidamente: "Eu vou matar Maximillian Sheldon, eu vou matar Maximillian Sheldon, eu vou matar Maximillian Sheldon...". Asterbaldo, negro, 1,84m, 92Kg, faixa preta em Karate-do e delegado de plantão, procurou pensar em como Chuck Norris reagiria em tal situação. Após um esforço sobre-humano de meditação, por quase, digamos, meio segundo, ele chamou no rádio da patrulha: "Alo, Clemente. Não, porra, não é a Clo, aqui fala o Asterbaldo. Faz o seguinte: Solta o Humberto, ele não tem nada com a história, ele só tá doidão. Isso, arquiva, arquiva. Solta o elemento e manda prender um tal de Roger... Porra, tá um puta calor e ainda chove... Mas so chove, chove...".

15:58, pm. Asterbaldo pega seu Motorolla 550C, e chama a Clo, bicha branca, 1,58 m, 46kg, pernas cabeludas e fã de carteirinha de Reginaldo Rossi. "Alo, Clo. Não, bicha louca, não é o Clemente, é o Asterbaldo. Seguinte: Acabei de resolver um caso fodido, to cansado pra caralho e vou tirar folga o resto do dia. Isso, a cidade que se dane. Passa em casa daqui a uns.... Vinte minutos. Vem passar uma tarde abafada de chuva comigo, que eu peguei na locadora o 'Norris ataca no Vietnan VIII'. To esperando, belezura....".

Terça-feira. 18:32, pm. Ainda chovia. Doidão de drogas lisérgicas e outros purgantes menores, Roger Waters, 48 anos, 1,73m, uns 66kg e fã de Buddy Holly foi preso em Liverpool, numa ação em conjunto da polícia de Pastelada com a polícia de Londres, aos gritos de "Maximillian what?!? what?!?". Humberto, outrora o mais recém desempregado da cidade, desperta em seu apartamento quase limpo, sem saber muito o que aconteceu nas ultimas 24 horas. Estranha a ausência do cadáver sorridente de Margarida, quem ele teria assassinado uns três, quatro dias atrás... "Tudo bem", ele pensa, "amanhã é a vez do J. J. Jameson, aquele Darth Vader de bigodinho, e depois de amanhã é a vez do Simões, aquele puxa saco"... Pensava nosso herói Humberto enquanto enfileirava um cardápio variado e explosivo de tantas inas.... Estica o braço, puxa uma fita qualquer da pilha de fitas cassete de rock and roll de uma década anterior ao momento, e sob os efeitos da voz de um tal de Nasi e todas as inas ingeridas nesse café da manhã tardio de terça feira, buscava uma camiseta em seu armário. Puxou uma verde, com uma frase estampada em preto: "Eu vou matar Maximillian Sheldon, eu vou matar Maximiliian Sheldon...". No toca-fitas, guitarras distorcidas acompanhavam a frase gutural, quase como um grito na multidão: "É assim que me querem, ehhhhhhh, é assim que me querem, eu sei...". Humberto deixa seu apartamento na rua doze para comprar cigarros, e estranha um décimo-primeiro amassado na porta lateral esquerda do seu Renault 440 modelo 1957, estacionado ao lado de uma lata de lixos derrubada... "Vândalos. Essa cidade está cada vez mais suja e cheia de vândalos".

REWIND. Terça-feira, 7:30, am. Ainda chovia. Asterbaldo desperta sorridente, com Clo aninhada em seu peito de Ébano. Pensando em super-hyper-round kicks de Chuck Norris, ele pensa que amanhã e depois de amanhã ele estará outra vez de plantão, tendo que tomar conta de uma Pastelada cada vez mais suja e cheia de vândalos, e tendo que tomar decisões cada vez mais difíceis para solucionar os diversos crimes.... Dia após dia, noite após noite... Mas tudo bem. Clo estará sempre ao seu lado, quando não estiver ao lado de Clemente. No deque, a voz rouca de Reginaldo Rossi, o rei das multidões, cantava: "... E tudo que a gente transava eram três, quatro curvas, eu era a raposa, você era as uvas, eu sempre querendo os teus beijos roubar...". Clo sussurrava satisfeita algo indecifrável. Ambos voltaram a dormir. Na manhã do mesmo dia, a Pastelada Diária estampava na primeira página: "Assassinato em casa de ex-repórter viciado: Artista britânico seria o principal suspeito". Horas depois, o destino, os bigodes e a franja grisalha de um certo editor estariam selados ao som da voz de um certo Nasi. Fazia calor. Estava abafado. Chovia...

8 comentários:

Maluco disse...

Acho que os ares da ilha estao de fazendo bem.
Ou já estás de volta?

Bowie Macgowan disse...

not yet, not yet....

mas eu vou matar maximillian sheldon... ah, se vou. decimo segundo tugao is coming from Hawaii...

Ki wo tsukemashou!

Bowie Macgowan disse...

Erros gramaticais corrigidos e revistos.

Alucinógena disse...

Eu tentei, eu juro que eu tentei. Podia contar uma mentirinha agradável e dizer que li tudinho mas só sou assim pra certas pessoas especiais, pra ti não. Eu tentei, eu juro que eu tentei, mas não consegui... eu não consegui!!!!

Um nó se fez na minha miopia galopante e não deu, eu juro que tentei mas não deu. E quando meus 3º e 4º olhos se depararam com "ensandecido"... bem, eles se foram de vez.

Mas eu tentei, eu juro que tentei. Outra hora eu tento de novo.

Bowie Macgowan disse...

preguicosa.

Pretz disse...

Rapaz, temos q conversar sobre um roteiro...

Bowie Macgowan disse...

egua, um roteiro?
beleza. pode ser SM explicito?
quero trabalhar a cena em que ele esquenta a colher de sobremesa enferrujada pra meter no bucho da Margarida....

Alucinógena disse...

E eu que pensei que meu agosto tivesse sido foda... coitada da Margaridinha!

Que o renault desse sujeito nunca se aproxime do meu batmovel, eu heim!