terça-feira, maio 23, 2006

Esse lugar esta entregue as baratas...




Eramos quatro. Coincidencia ou nao, alguns dos mais celebres grupos de pessoas do passado tambem eram formados por quatro integrantes. Tinhamos ilustres visitantes, filhas de donos, cabras da peste, grandes garotas, morenas de pernas grandes, meninas de cabelos de fogo... muitos ja gritaram nossos nomes em grandes avenidas interneticas. Mas o sonho acabou. Para toda noite, uma manha.

Duas de nos se perderam no limbo de suas existencias -- uma cosmica e outra etilica. Outro de nos, entregou-se ao estigma do trabalho, descobrindo que a entropia realmente eh a forca que rege todo o universo... Caos, caos, caos... Tudo o que sempre houve nas nossas mentes, mas que sempre forcamos um esconde-esconde.

Bom, a atual situacao dessa casa de lunaticos me faz lembrar de dias de antes. De muito antes, e que nao deixam de me trazer reflexoes futuras. Sim, eu lembro de chegar embriagado aos dezesseis anos em casa, pouco antes das sete e trinta da manha, trazendo o bafo cambaleante de todo aprendiz na Gran Arte, metido a Gran Cousa e com um medo da porra da mae ou do pai cheirarem minha boca. Lembro de ter conseguido escapar dessa humilhante e provavel e possivel averiguacao. E hoje penso que eu nao quero que meu filho chegue embriagado em casa as sete e trinta da manha, assim como meus pais tambem nao devem ter desejado que eu fizesse o mesmo, e assim como ambos (meu pai e minha mae) devem ter feito, nao escrevendo nas mesmas linhas, mas sim, devem ter cometido seus delitos e pequenos pecados quando tudo em suas vidas era dezesseis. Algumas coisas sao inevitaveis, mesmo que indesejaveis. Bom, se um dia meu filho o desejar, que folheie as paginas de um semi-diario eletronico qualquer do seu pai, e que decida chegar nao as sete e trinta da manha, mas um pouquinho antes, pra que eu nao o saiba jamais.... Ou para que eu finja melhor e menos decepcionado.

Inevitaveis... Assim como a despartilha, como o abandono e o desalento. Como esse espaco para ideias, ja quase moribundo. Em duas semanas, eu volto ao mar.... "O mar anti-galileu, onde o dia mais terrivel sempre se escondeu". Serao quarenta dias ausente, como fez um senhor narigudo e vestindo tunica no deserto da galileia. So que eu estarei na agua, e nao passarei nem fome nem sede, que nao nasci pra besta nem pra martir.

E eu nao vou ser o martir de ninguem. Jamais.

Espero que meus comparsas, outros malucos dessas terras onde escondo meus devaneios, voltem logo. Senao, meus caros ninguens (ja que ninguem visita essa porra mesmo), a dona-senhora dai de cima nos chega e nos devora, de dentro da boca, palavra por palavra.

Palavra por palavra.

2 comentários:

Alucinógena disse...

Eu quero que os meus filhos cheguem em casa à beira das 7:15 da manhã cheirando a bebida. Não quero é que cheirem outras coisas, isso sim!

Ps¹: eu tava sem computador e ainda não consegui postar por telepatia.

Ps²: que graça tem de postar aqui se NINGUÉM comenta???? Podem me chamar de poser, eu não ligo, mas quando me expresso de alguma maneira é pra interagir com as pessoas. Por isso acabo me ligando mais no outro blogg, porque lá, pelo menos as pessoas INTERAGEM!
=P

Mulher Maravilinda disse...

Concordo com a B! Eu curto vir aqui ler mas vcs não vão no nosso, e se vão, não comentam. Então eu também não faço :cÞ